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Câmara aprova regulamentação da Reforma Tributária

Câmara aprova regulamentação da Reforma Tributária

Por: José Carlos Carvalho

A aprovação, pela Câmara dos Deputados, do texto-base da regulamentação da Reforma Tributária representa mais do que um avanço legislativo. Ela antecipa mudanças operacionais relevantes, que exigirão atenção imediata de empresários, áreas fiscais, financeiras e de compliance — muito antes de 2026.

A discussão deixa de ser “se” a reforma vai acontecer. A pergunta agora é como cada empresa vai se adaptar a um sistema radicalmente diferente do atual.

Câmara aprova regulamentação da Reforma Tributária

  1. O fim da lógica “tributo por tributo”

Um dos impactos mais relevantes do texto aprovado é a padronização conceitual do novo sistema. A CBS e o IBS não funcionam como PIS, Cofins, ICMS ou ISS isoladamente. Eles operam sob uma lógica única:

  • Base ampla;
  • Crédito financeiro;
  • Incidência no destino;
  • Neutralidade econômica.

Na prática, isso exige uma mudança profunda na forma como as empresas:

  • Classificam operações;
  • Estruturam preços;
  • Apuram créditos;
  • Organizam seus cadastros fiscais (produtos, NCM, CST, CFOP, natureza da operação).

Exemplo prático: operações hoje “neutras” ou pouco relevantes sob PIS/Cofins podem passar a gerar créditos ou débitos relevantes no novo modelo. O erro não será mais apenas pagar imposto a maior — será perder crédito estruturalmente.

  1. Crédito deixa de ser “tese” e vira sistema

O texto aprovado reforça o modelo de crédito amplo e financeiro, mas com regras operacionais rígidas, centralizadas e fiscalizadas por um Comitê Gestor nacional.

Isso muda o jogo para o compliance:

  • Crédito passa a depender diretamente da qualidade do documento fiscal recebido;
  • Erros do fornecedor impactam o crédito do adquirente;
  • Sistemas precisarão validar informações em tempo quase real.

Exemplo prático: empresas que hoje convivem com inconsistências em XMLs, cadastros incompletos ou documentos “ajustados depois” terão dificuldade em sustentar créditos no novo modelo.

O risco não é só autuação. É erosão de margem.

  1. Comitê Gestor: menos autonomia, mais padronização

A criação do Comitê Gestor do IBS é uma das mudanças mais subestimadas — e mais relevantes — da reforma.

Ele será responsável por:

  • Definir regras operacionais;
  • Uniformizar fiscalização;
  • Centralizar arrecadação e distribuição.

Isso significa, objetivamente:

  • Menos “flexibilidade local”;
  • Menos espaço para interpretações regionais;
  • Mais padronização — e mais rastreabilidade.

Para empresas que operam em vários estados e municípios, isso reduz disputas federativas, mas aumenta a exigência de conformidade técnica.

  1. Benefícios fiscais: mudança de mentalidade

A regulamentação aprovada deixa claro que o novo sistema não conversa bem com benefícios fiscais tradicionais, sobretudo aqueles concedidos de forma fragmentada ou não transparente.

A lógica passa a ser:

  • Benefícios explícitos;
  • Tratamento uniforme;
  • Compensações claras no orçamento.

Isso exige das empresas uma revisão estratégica:

  • Benefícios que hoje impactam ICMS podem não produzir o mesmo efeito econômico no IBS;
  • Estruturas montadas exclusivamente para incentivos regionais precisarão ser reavaliadas.

Exemplo prático: modelos de negócio altamente dependentes de incentivos precisarão ser reprecificados, reestruturados ou absorver parte do custo tributário.

  1. 2026 começa antes de 2026

Embora a arrecadação efetiva comece mais adiante, 2026 não será um “ano neutro”.

Será o ano de:

  • Teste de sistemas;
  • Cruzamento de informações;
  • Validação de dados;
  • Preparação para fiscalizações futuras.

Empresas que chegarem a 2026 com:

  • Cadastros desorganizados;
  • Processos manuais;
  • Dependência excessiva de pessoas (e não de sistemas);

estarão em desvantagem competitiva clara.

Conclusão: a reforma deixou de ser teórica

A aprovação da regulamentação marca uma virada importante:

a Reforma Tributária sai do discurso e entra na operação.

Para o empresário atento, o foco agora deve ser:

  • Diagnóstico tributário e operacional;
  • Revisão de processos e sistemas;
  • Antecipação de riscos;
  • Preparação do compliance para um ambiente mais técnico, padronizado e rastreável.

Quem tratar a reforma apenas como “mais uma mudança legal” tende a pagar por isso — em custo, risco ou perda de margem.

Quem se preparar agora transforma obrigação em vantagem competitiva.

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